Ex-deputado Ricardo Bacha quintuplicou suas terras rurais em dez anos
por ALCEU LUÍS CASTILHO (@alceucastilho)*
Entre 1996, dois anos antes de se candidatar ao governo do Mato Grosso do Sul, e 2006, candidato a deputado estadual, o pecuarista Ricardo Bacha teve o patrimônio ampliado de R$ 554 mil para R$ 1,75 milhão. A quantidade de terras saltou de 1.252 hectares para 6.214 hectares. Os dados constam das declarações de bens entregues à Justiça Eleitoral.
Bacha é pivô da crise com os indígenas da etnia Terena, no Mato Grosso do Sul. Eles reivindicam 17 mil hectares na região. A Fazenda Buriti, do ex-deputado, leva o mesmo nome da Terra Indígena Buriti, já reconhecida pela Funai, mas não homologada pelo Ministério da Justiça. Foi lá que morreu o indígena Oziel Gabriel, em maio, baleado pela Polícia Federal durante reintegração de posse. Dias após, em outra fazenda, outro Terena foi baleado pelas costas, mas sobreviveu.
A Fazenda Buriti já aparecia na declaração entregue em 1998, quando Ricardo Bacha foi candidato ao governo pelo PSDB. Seu valor era de R$ 272 mil. Um ano depois passou para R$ 333 mil, valor que não foi mais corrigido. Ela tem 302 hectares – onde o pecuarista, formado em engenharia, cria gado.
O blog solicitou os dados há algumas semanas ao presidente do TRE-MS, já que, ao contrário da declaração de 2006, eles não estão disponíveis na internet. Em 1998, Bacha apresentou a lista entregue ao Imposto de Renda em dois anos: 1996 e 1997. Os valores corrigidos de um ano para o outro não foram mais atualizados.
Entre 1997 e 2006 o pecuarista adquiriu terras menos valiosas que a Fazenda Buriti, porém mais extensas. Bacha tinha somente três fazendas em 1997 (com 1.252 hectares). Em 2006, quando foi candidato à Assembleia Legislativa pelo PPS, a quantidade de fazendas saltou para 13. Perfazendo o total de 6.214 hectares.
Uma dessas dez novas terras fica em Caracol (MS). É a Fazenda São Judas Tadeu, com 903 hectares, declarada por valores redondos: R$ 270 mil. Outra, a mais extensa, fica em Ribas do Rio Pardo (MS). A Fazenda Limão tem 3 mil hectares e foi declarada por R$ 300 mil.
O preço das terras é considerado o principal motivo da resistência dos fazendeiros em deixar o local. O conflito no Mato Grosso do Sul foi um dos principais assuntos de maio. Em junho, com os protestos de rua em todo o Brasil, perdeu visibilidade.
Note-se que a correção do preço da fazenda Buriti, em 1997, para R$ 333 mil, ocorreu já durante a vigência do real. E que a fazenda em Ribas do Rio Pardo, dez vezes maior que ela, foi declarada por menos que isso.
* o autor deste blog é também o autor do livro Partido da Terra – como os políticos conquistam o território brasileiro (Editora Contexto, 2012)
LEIA MAIS:
Reintegrações de posse no MS beneficiam políticos
NO TWITTER:
@blogOutroBrasil
NO FACEBOOK:
Outro Brasil
jornalismo, geografia, literatura, cinema. Utopia, resistência. 'Indignem-se!' (Stéphane Hessel). 'Nem tudo é sórdido' (Ernesto Sabato - 1911-2011)
Mostrando postagens com marcador #matogrossodosul. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #matogrossodosul. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 27 de junho de 2013
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Está deflagrado o Outono Indígena no Brasil
por ALCEU LUÍS CASTILHO (@alceucastilho)
Às vésperas do inverno, esquenta a temperatura no campo. São vários os sinais de que vivemos um momento histórico em relação à questão indígena. O assassinato de Oziel Gabriel em Sidrolândia (MS) na semana passada, um índio Terena, foi a senha para o governo e a imprensa começarem a se movimentar. Mas a um passo atrás do movimento de indígenas (não só Terena) e fazendeiros.
Essa história tem 513 anos. A esse número impactante corresponde uma ignorância brutal, no eixo Rio-Brasília-São Paulo, em relação ao cotidiano das etnias e à dinâmica específica das demarcações. À ignorância soma-se o discurso ruralista, manipulador, de olho na expansão do território do agronegócio.
A Folha publicou hoje entrevista com um líder dos produtores rurais do Mato Grosso do Sul. “Estamos falando de um massacre iminente”, disse ele. "Vai morrer mais gente", afirmou. "Vai ter mais sangue".
Gente morrendo e sangue correndo acontece há séculos, entre os indígenas. No ano passado a PF matou Adenilson Munduruku. Às mortes violentas e sistemáticas, homicídios e genocídios, somam-se os suicídios, que não deixam de ser outro genocídio disfarçado, e o extermínio pela omissão: pela ausência de saúde, pelo cerceamento dos modos indígenas de ser.
Enquanto isso, brancos cínicos, pensadores tímidos, eurocêntricos rudimentares repetem frases preconceituosas sobre as etnias: admiram-se por eles usarem máquinas fotográficas, tênis, camisetas com marca. O antropólogo José Ribamar Bessa Freire já escreveu o artigo definitivo sobre isso: “Os índios do Século XXI”. E desconstruiu a infâmia.
Os jornais não têm desculpas em relação a essa distração histórica, a esse distanciamento socio-geográfico. Mas, de repente, veem-se obrigados a cobrir a escalada do levante indígena. Por causa da ocupação de rodovias? Por causa da morte de Oziel? Talvez por tudo um pouco, mas também pela ocupação, por membros da etnia Kaingang no Paraná da ministra Gleisi Hoffmann, de uma das sedes do PT.
A partir das duas letrinhas mágicas exporta-se para a questão indígena, portanto, o debate político maniqueísta que reina nestas terras invadidas: o Fla-Flu entre PT e PSDB. Esse debate que reduz tudo a uma disputa entre grupos partidários hegemônicos – e que dispensa uma bela perspectiva histórica, sociológica. Ou uma abordagem minimamente humanista. Questão indígena, bem sabem os antropólogos, é algo que perpassa governos udenistas e petistas, regimes verde-oliva e tucanos, sem solução à vista.
E os indígenas reagem – para quem tiver olhos para ver, neste momento crucial da história brasileira. Eles não engoliram a suspensão da demarcação de terras indígenas, fruto de pressão dos políticos ruralistas. Estes aprovaram cana na Amazônia, costuraram a tesourada na Funai, agora não mais o único órgão responsável pelas demarcações de terras, tornaram-se muito próximos das principais figuras do governo federal.
Pior: os indígenas reagem (com a Constituição na mão) sob atentos olhares internacionais. O jornal inglês The Guardian foi incisivo ao analisar a temperatura crescente ao sul do Equador e pedir “pressão internacional” contra o Brasil: este, em relação aos indígenas, diz o título, “viola direitos humanos”.
Esse Outono Indígena que se desenha, portanto, sem promessa de recuo no inverno ou no segundo semestre, tem um efeito-espelho em relação às primaveras políticas do hemisfério norte. Como no caso de Chico Mendes (1988), como na morte de Dorothy Stang (2005), não tem cara de algo que se possa varrer para debaixo do tapete. É o Sul do Sul que emerge junto com os arcos-e-flechas. A mais elegante e maltratada periferia do mundo.
Soluções à vista? Longe disso. Não há notícia de que a Força Nacional que anda por Belo Monte e agora migra para o Mato Grosso do Sul tenha habilidades diplomáticas. O delegado responsável pelas reintegrações de posse na região da Terra Indígena Buriti (curiosamente, em terras de políticos) também não faria grande sucesso como negociador. A Justiça? Ora, a Justiça tem lado: o das elites. Como Espinoza já dizia.
E, no entanto, o mundo se move. Os oprimidos, os indígenas, ganham voz. Como expôs a BBC: “Índios usam mídias sociais para fortalecer voz própria”. E falam em vingar Oziel. Um somente? Não: muitos, muitíssimos. Do outro lado, as palavras do pecuarista ecoam: “Vai morrer mais gente. Vai ter mais sangue”.
Todos estão avisados. Os jornais são míopes, porém, os jornais desaprenderam a fazer reportagens, os jornais não enxergam muitos palmos desse país continental. E os jornais também têm um lado. Os jornais preservam os proprietários de terra – mesmo diante de evidências de grilagem (em um país grilado), de crimes ambientais (no país do desmatamento), de trabalho escravo (um senhor de 513 anos). Os jornais evocam o discurso da legalidade apenas quando esta lhes é conveniente.
O mínimo necessário em meio a esse cenário bélico é fazer política. No sentido mais nobre do termo: política de alto nível, muita política. Política com afinco, política maiúscula. Mas a redução do debate a algumas palavras-de-ordem (em meio a uma lavagem cerebral patrocinada pelos tratoristas-ruralistas) e o calendário eleitoral não ajudam nem um pouco.
LEIA MAIS:
Reintegrações de posse no MS beneficiam políticos
NO TWITTER:
@blogOutroBrasil
NO FACEBOOK:
Outro Brasil
por ALCEU LUÍS CASTILHO (@alceucastilho)
Às vésperas do inverno, esquenta a temperatura no campo. São vários os sinais de que vivemos um momento histórico em relação à questão indígena. O assassinato de Oziel Gabriel em Sidrolândia (MS) na semana passada, um índio Terena, foi a senha para o governo e a imprensa começarem a se movimentar. Mas a um passo atrás do movimento de indígenas (não só Terena) e fazendeiros.
Essa história tem 513 anos. A esse número impactante corresponde uma ignorância brutal, no eixo Rio-Brasília-São Paulo, em relação ao cotidiano das etnias e à dinâmica específica das demarcações. À ignorância soma-se o discurso ruralista, manipulador, de olho na expansão do território do agronegócio.
A Folha publicou hoje entrevista com um líder dos produtores rurais do Mato Grosso do Sul. “Estamos falando de um massacre iminente”, disse ele. "Vai morrer mais gente", afirmou. "Vai ter mais sangue".
Gente morrendo e sangue correndo acontece há séculos, entre os indígenas. No ano passado a PF matou Adenilson Munduruku. Às mortes violentas e sistemáticas, homicídios e genocídios, somam-se os suicídios, que não deixam de ser outro genocídio disfarçado, e o extermínio pela omissão: pela ausência de saúde, pelo cerceamento dos modos indígenas de ser.
Enquanto isso, brancos cínicos, pensadores tímidos, eurocêntricos rudimentares repetem frases preconceituosas sobre as etnias: admiram-se por eles usarem máquinas fotográficas, tênis, camisetas com marca. O antropólogo José Ribamar Bessa Freire já escreveu o artigo definitivo sobre isso: “Os índios do Século XXI”. E desconstruiu a infâmia.
Os jornais não têm desculpas em relação a essa distração histórica, a esse distanciamento socio-geográfico. Mas, de repente, veem-se obrigados a cobrir a escalada do levante indígena. Por causa da ocupação de rodovias? Por causa da morte de Oziel? Talvez por tudo um pouco, mas também pela ocupação, por membros da etnia Kaingang no Paraná da ministra Gleisi Hoffmann, de uma das sedes do PT.
A partir das duas letrinhas mágicas exporta-se para a questão indígena, portanto, o debate político maniqueísta que reina nestas terras invadidas: o Fla-Flu entre PT e PSDB. Esse debate que reduz tudo a uma disputa entre grupos partidários hegemônicos – e que dispensa uma bela perspectiva histórica, sociológica. Ou uma abordagem minimamente humanista. Questão indígena, bem sabem os antropólogos, é algo que perpassa governos udenistas e petistas, regimes verde-oliva e tucanos, sem solução à vista.
E os indígenas reagem – para quem tiver olhos para ver, neste momento crucial da história brasileira. Eles não engoliram a suspensão da demarcação de terras indígenas, fruto de pressão dos políticos ruralistas. Estes aprovaram cana na Amazônia, costuraram a tesourada na Funai, agora não mais o único órgão responsável pelas demarcações de terras, tornaram-se muito próximos das principais figuras do governo federal.
Pior: os indígenas reagem (com a Constituição na mão) sob atentos olhares internacionais. O jornal inglês The Guardian foi incisivo ao analisar a temperatura crescente ao sul do Equador e pedir “pressão internacional” contra o Brasil: este, em relação aos indígenas, diz o título, “viola direitos humanos”.
Esse Outono Indígena que se desenha, portanto, sem promessa de recuo no inverno ou no segundo semestre, tem um efeito-espelho em relação às primaveras políticas do hemisfério norte. Como no caso de Chico Mendes (1988), como na morte de Dorothy Stang (2005), não tem cara de algo que se possa varrer para debaixo do tapete. É o Sul do Sul que emerge junto com os arcos-e-flechas. A mais elegante e maltratada periferia do mundo.
Soluções à vista? Longe disso. Não há notícia de que a Força Nacional que anda por Belo Monte e agora migra para o Mato Grosso do Sul tenha habilidades diplomáticas. O delegado responsável pelas reintegrações de posse na região da Terra Indígena Buriti (curiosamente, em terras de políticos) também não faria grande sucesso como negociador. A Justiça? Ora, a Justiça tem lado: o das elites. Como Espinoza já dizia.
E, no entanto, o mundo se move. Os oprimidos, os indígenas, ganham voz. Como expôs a BBC: “Índios usam mídias sociais para fortalecer voz própria”. E falam em vingar Oziel. Um somente? Não: muitos, muitíssimos. Do outro lado, as palavras do pecuarista ecoam: “Vai morrer mais gente. Vai ter mais sangue”.
Todos estão avisados. Os jornais são míopes, porém, os jornais desaprenderam a fazer reportagens, os jornais não enxergam muitos palmos desse país continental. E os jornais também têm um lado. Os jornais preservam os proprietários de terra – mesmo diante de evidências de grilagem (em um país grilado), de crimes ambientais (no país do desmatamento), de trabalho escravo (um senhor de 513 anos). Os jornais evocam o discurso da legalidade apenas quando esta lhes é conveniente.
O mínimo necessário em meio a esse cenário bélico é fazer política. No sentido mais nobre do termo: política de alto nível, muita política. Política com afinco, política maiúscula. Mas a redução do debate a algumas palavras-de-ordem (em meio a uma lavagem cerebral patrocinada pelos tratoristas-ruralistas) e o calendário eleitoral não ajudam nem um pouco.
LEIA MAIS:
Reintegrações de posse no MS beneficiam políticos
NO TWITTER:
@blogOutroBrasil
NO FACEBOOK:
Outro Brasil
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Reintegrações de posse no MS beneficiam
políticos
por ALCEU LUÍS CASTILHO (@alceucastilho)
O delegado Alcídio de Souza Araújo roubou a cena, neste sábado, ao confiscar o computador e o gravador do jornalista Ruy Sposati, do Conselho Indigenista Missionário. Ele comandava uma ação de reintegração de posse em Sidrolândia (MS). Um detalhe tem passado despercebido: trata-se de mais um despejo em benefício de político local.
O fazendeiro Ricardo Bacha já foi deputado estadual, pelo PSDB, e candidato ao governo estadual, em 1998 (foi derrotado no segundo turno). Ele aparece neste vídeo discutindo com os indígenas que ocuparam a fazenda. No segundo minuto bate as mãos no chão e diz: “Isto aqui é meu!” Os Terena reivindicam o mesmo.
O delegado Alcídio de Souza Araújo roubou a cena, neste sábado, ao confiscar o computador e o gravador do jornalista Ruy Sposati, do Conselho Indigenista Missionário. Ele comandava uma ação de reintegração de posse em Sidrolândia (MS). Um detalhe tem passado despercebido: trata-se de mais um despejo em benefício de político local.
O fazendeiro Ricardo Bacha já foi deputado estadual, pelo PSDB, e candidato ao governo estadual, em 1998 (foi derrotado no segundo turno). Ele aparece neste vídeo discutindo com os indígenas que ocuparam a fazenda. No segundo minuto bate as mãos no chão e diz: “Isto aqui é meu!” Os Terena reivindicam o mesmo.
Veja aqui o vídeo com o
confisco do equipamento:
http://www.youtube.com/watch?v=ZRlHeOzENvI&feature=youtu.be. Aqui, o vídeo com Bacha e os indígenas:
http://www.youtube.com/watch?v=eQwMXPavpok&feature=youtu.be.
Em 2006, Bacha declarou um total de 6.214 hectares em terras: http://noticias.uol.com.br/politica/politicos-brasil/2006/deputado-estadual/23041949-ricardo-bacha.jhtm. A área em disputa, a Fazenda Buriti, foi declarada por R$ 333.106,84. Segundo o político, tem 302 hectares de “terras pastais e lavradias”.
Ele possui uma área de mais de 3 mil hectares em Ribas do Rio Pardo.
Pecuarista, Bacha não declarou uma única cabeça de gado. Isso apesar de ter declarado inúmeras áreas de "terras pastais". Ele foi secretário de Estado da Fazenda no governo Wilson Martins (1995-1998).
MAIS UM POLÍTICO
O mesmo delegado que confiscou o material do jornalista, Alcídio Araújo, participou há exatamente três anos de reintegração de posse – também contra índios da etnia Terena – em benefício do ex-governador Pedro Pedrossian (PMDB).
Confira a reportagem do Correio do Estado: “PM expulsa índios da terra dePedrossian”.
O delegado declarou o seguinte, na ocasião: “Temos duas opções. Ou vocês saem de forma pacífica ou haverá confronto, porque hoje nós vamos cumprir a determinação da Justiça". Houve confronto, registrado neste vídeo histórico. Segue trecho da reportagem:
- Durante a correria um índio foi ferido na perna por um disparo de bala de borracha e uma criança machucou o joelho. Em quinze minutos os indígenas começaram a deixar o local sem levar nada, algumas mulheres saíram carregando as crianças e os cachorros.
Pedrossian governou Mato Grosso do Sul entre 1991 e 1995. Em 2002, candidato derrotado ao Senado pelo PST, declarou 6.936 hectares. Como Bacha, é um latifundiário.
NO TWITTER:
@blogOutroBrasil
NO FACEBOOK:
Outro Brasil
http://www.youtube.com/watch?v=eQwMXPavpok&feature=youtu.be.
Em 2006, Bacha declarou um total de 6.214 hectares em terras: http://noticias.uol.com.br/politica/politicos-brasil/2006/deputado-estadual/23041949-ricardo-bacha.jhtm. A área em disputa, a Fazenda Buriti, foi declarada por R$ 333.106,84. Segundo o político, tem 302 hectares de “terras pastais e lavradias”.
Ele possui uma área de mais de 3 mil hectares em Ribas do Rio Pardo.
Pecuarista, Bacha não declarou uma única cabeça de gado. Isso apesar de ter declarado inúmeras áreas de "terras pastais". Ele foi secretário de Estado da Fazenda no governo Wilson Martins (1995-1998).
MAIS UM POLÍTICO
O mesmo delegado que confiscou o material do jornalista, Alcídio Araújo, participou há exatamente três anos de reintegração de posse – também contra índios da etnia Terena – em benefício do ex-governador Pedro Pedrossian (PMDB).
Confira a reportagem do Correio do Estado: “PM expulsa índios da terra dePedrossian”.
O delegado declarou o seguinte, na ocasião: “Temos duas opções. Ou vocês saem de forma pacífica ou haverá confronto, porque hoje nós vamos cumprir a determinação da Justiça". Houve confronto, registrado neste vídeo histórico. Segue trecho da reportagem:
- Durante a correria um índio foi ferido na perna por um disparo de bala de borracha e uma criança machucou o joelho. Em quinze minutos os indígenas começaram a deixar o local sem levar nada, algumas mulheres saíram carregando as crianças e os cachorros.
Pedrossian governou Mato Grosso do Sul entre 1991 e 1995. Em 2002, candidato derrotado ao Senado pelo PST, declarou 6.936 hectares. Como Bacha, é um latifundiário.
NO TWITTER:
@blogOutroBrasil
NO FACEBOOK:
Outro Brasil
Publicado por
Alceu Castilho, jornalista.
en
10:04
1 comentarios
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Etiquetas:
#censura,
#cimi,
#imprensa,
#latifundios,
#matogrossodosul,
#politicos,
#questaoagraria,
#questaoindigena,
#ruralistas,
#terena
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Trabalhadores da Marfrig “vieram a óbito” e a culpa é da terceirizada?
A nota oficial da Marfrig em relação aos trabalhadores mortos e em risco de vida em Bataguassu (MS) mostra como as empresas – por meio de suas equipes de comunicação - tentam atenuar o horror da exploração de homens por outros homens. Cada palavra escolhida visa minimizar a tragédia. Mas o discurso merece alguns questionamentos, trecho por trecho. Vejamos.
A Marfrig informa que o acidente na manhã desta terça-feira (31) envolvendo a unidade de curtume no município de Bataguassu (MS) foi controlado pelo Corpo de Bombeiros.
“Envolvendo”? Algo de cima, ou de fora, estranho à Marfrig, que “envolvesse” sua “unidade de curtume”? Na verdade quatro trabalhadores brasileiros morreram intoxicados na Marfrig. Enquanto serviam à Marfrig, em um trabalho de alto risco. Por responsabilidade direta da Marfrig, que deveria zelar pela segurança de seus funcionários.
O curtume está isolado para perícia técnica e não há qualquer risco de intoxicação ou perigo.
Que bom sabermos disso, não? Mas assim que a perícia liberar o curtume a empresa seguirá obtendo normalmente seus lucros. Nesse caso, haverá risco? As empresas informam à sociedade os riscos embutidos em suas atividades? Quais são eles?
Aproximadamente 20 funcionários intoxicados foram encaminhados à Santa Casa local.
Aproximadamente, mais ou menos 20 funcionários? Tipo assim: “demos uma olhadinha e parece que eram uns 20 caras”? Poderiam informar com precisão? Qual o controle, afinal, numa área de tamanho risco? Quem estava no local?
Destes, 4 vieram a óbito e 3 foram removidos em UTIs móveis para tratamento na Santa Casa de Presidente Prudente (SP). Os demais seguem sendo atendidos localmente e estão fora de perigo.
Os quatro mortos aparecem de passagem no texto. São uma espécie de detalhe. E eles, vejam só, “vieram a óbito”. Não foram asfixiados, violentados por um veneno explosivo. A frase coloca as mortes en passant e segue para seu final inadvertidamente irônico: na Santa Casa de “Prudente”. E logo se avisa que os “demais” (não se sabe quantos, afinal) estão “fora de perigo”. Leitura jornalística: quatro morreram e três correm risco de morrer.
A causa do acidente está sendo apurada pela polícia técnica. Informações preliminares indicam que houve reação química no descarregamento de insumos realizado por uma empresa terceirizada.
Aaaaah, então a culpa é da empresa terceirizada. Claro. Ora, essa é a mesma desculpa utilizada por todos os patrões flagrados com trabalhadores escravos. Mal têm margem de lucro, as pobres corporações, e não podem fiscalizar os tais “terceiros”.
A equipe local da empresa está empenhada na prestação de atendimento aos funcionários atingidos e suas famílias.
Os funcionários “atingidos” e suas famílias agradecem.
Assim que as causas do acidente forem esclarecidas pelas autoridades competentes a empresa voltará a informar.
Só depois disso? O esclarecimento das causas costuma demorar. A empresa não deveria voltar a “informar” mais vezes?
A unidade frigorífica de Bataguassu, próxima ao curtume, não foi atingida pelo acidente.
A empresa não tinha um final melhor para uma nota fúnebre? Devemos soltar fogos por estar intacta a unidade frigorífica?
As grandes empresas possuem equipes de comunicação especializadas em “gestão de crise”. Notas como essa, porém, longe de minimizar a crise, expõem o quanto, no Brasil, as relações de trabalho seguem “aproximadamente” nas condições do século 19.
Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)
NO TWITTER:
@blogOutroBrasil
NO FACEBOOK:
Outro Brasil
A nota oficial da Marfrig em relação aos trabalhadores mortos e em risco de vida em Bataguassu (MS) mostra como as empresas – por meio de suas equipes de comunicação - tentam atenuar o horror da exploração de homens por outros homens. Cada palavra escolhida visa minimizar a tragédia. Mas o discurso merece alguns questionamentos, trecho por trecho. Vejamos.
A Marfrig informa que o acidente na manhã desta terça-feira (31) envolvendo a unidade de curtume no município de Bataguassu (MS) foi controlado pelo Corpo de Bombeiros.
“Envolvendo”? Algo de cima, ou de fora, estranho à Marfrig, que “envolvesse” sua “unidade de curtume”? Na verdade quatro trabalhadores brasileiros morreram intoxicados na Marfrig. Enquanto serviam à Marfrig, em um trabalho de alto risco. Por responsabilidade direta da Marfrig, que deveria zelar pela segurança de seus funcionários.
O curtume está isolado para perícia técnica e não há qualquer risco de intoxicação ou perigo.
Que bom sabermos disso, não? Mas assim que a perícia liberar o curtume a empresa seguirá obtendo normalmente seus lucros. Nesse caso, haverá risco? As empresas informam à sociedade os riscos embutidos em suas atividades? Quais são eles?
Aproximadamente 20 funcionários intoxicados foram encaminhados à Santa Casa local.
Aproximadamente, mais ou menos 20 funcionários? Tipo assim: “demos uma olhadinha e parece que eram uns 20 caras”? Poderiam informar com precisão? Qual o controle, afinal, numa área de tamanho risco? Quem estava no local?
Destes, 4 vieram a óbito e 3 foram removidos em UTIs móveis para tratamento na Santa Casa de Presidente Prudente (SP). Os demais seguem sendo atendidos localmente e estão fora de perigo.
Os quatro mortos aparecem de passagem no texto. São uma espécie de detalhe. E eles, vejam só, “vieram a óbito”. Não foram asfixiados, violentados por um veneno explosivo. A frase coloca as mortes en passant e segue para seu final inadvertidamente irônico: na Santa Casa de “Prudente”. E logo se avisa que os “demais” (não se sabe quantos, afinal) estão “fora de perigo”. Leitura jornalística: quatro morreram e três correm risco de morrer.
A causa do acidente está sendo apurada pela polícia técnica. Informações preliminares indicam que houve reação química no descarregamento de insumos realizado por uma empresa terceirizada.
Aaaaah, então a culpa é da empresa terceirizada. Claro. Ora, essa é a mesma desculpa utilizada por todos os patrões flagrados com trabalhadores escravos. Mal têm margem de lucro, as pobres corporações, e não podem fiscalizar os tais “terceiros”.
A equipe local da empresa está empenhada na prestação de atendimento aos funcionários atingidos e suas famílias.
Os funcionários “atingidos” e suas famílias agradecem.
Assim que as causas do acidente forem esclarecidas pelas autoridades competentes a empresa voltará a informar.
Só depois disso? O esclarecimento das causas costuma demorar. A empresa não deveria voltar a “informar” mais vezes?
A unidade frigorífica de Bataguassu, próxima ao curtume, não foi atingida pelo acidente.
A empresa não tinha um final melhor para uma nota fúnebre? Devemos soltar fogos por estar intacta a unidade frigorífica?
As grandes empresas possuem equipes de comunicação especializadas em “gestão de crise”. Notas como essa, porém, longe de minimizar a crise, expõem o quanto, no Brasil, as relações de trabalho seguem “aproximadamente” nas condições do século 19.
Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)
NO TWITTER:
@blogOutroBrasil
NO FACEBOOK:
Outro Brasil
Publicado por
Alceu Castilho, jornalista.
en
02:46
3
comentarios
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Etiquetas:
#bataguassu,
#corporacoes,
#curtumes,
#frigorificos,
#gestaodecrise,
#marfrig,
#matogrossodosul,
#riscodevida,
#trabalhadores
Assinar:
Postagens (Atom)