quinta-feira, 15 de março de 2012

Vocês estão rindo de quê, seus racistas? Da morte sistemática de negros e gays?
 
por ALCEU LUÍS CASTILHO (@alceucastilho)

A sociedade brasileira precisa tomar um lado. Ou é o lado do músico negro Raphael Lopes, que chamou a polícia após ter sido comparado a um macaco por um “humorista”, ou o dos jovens brancos que decidiram assumir racismo e homofobia como instrumentos de humor. Entre eles estão Felipe Hamachi, Fábio Rabin e Danilo Gentili. Hamachi foi o ser “engraçado” que fez a tal comparação com macacos. Ele, Rabin e Gentili fazem um show – a R$ 60 por cabeça – que ofende, assumidamente, negros, gays, portadores de deficiência e mulheres.
 
Dirijo-me, portanto, aos colegas (“amigos”, parentes) que acham tudo isso normal. Não há meio-termo. O apoio - mais ou menos estridente - a esses jovens implica perfilar-se do lado da Casa Grande. Do lado de séculos de assassinatos de negros. Em 2010, morreram assassinados 33.264 negros. Brancos? 13.668. A morte de negros por homicídio subiu 23,4% em oito anos. Estão rindo de quê, defensores de Hamachi, Rabin e Gentili?
 
A Senzala é também o espaço do achincalhamento de gays, mulheres e portadores de deficiência – para citar apenas os grupos mencionados no último “show” em São Paulo. No caso dos gays temos mais uma matança de escala nacional. Entre 2007 e 2010 o número de gays assassinados saltou de 142 para 260. Em pelo menos 76 países, ser gay é considerado crime. No Brasil, mata-se. Estão rindo de quê, homofóbicos? Do extermínio e da humilhação de seres humanos por sua orientação sexual e identidade de gênero?
 
E, por falar em gênero, vivemos hoje em um país que tem uma lei chamada Maria da Penha. Diariamente mulheres são vítimas de estupros, constrangimentos (como homens que se masturbam perto delas), entre outras violências. Danilo Gentili, Fábio Rabin, Felipe Hamachi e outros desqualificados (como Rafinha Bastos) insistem em promover o machismo e o sexismo. Não estão sozinhos, como se vê nas propagandas de cerveja. Mas... eles estão rindo de quê?
 
Cada piadinha contra negros é uma chibatada. As pessoas no teatro ou no sofá contribuem diretamente para a afirmação de uma cultura que exclui essas pessoas (negros, gays, mulheres) do campo da normalidade. E, portanto, a uma distância muito mais próxima do que imaginam, apertam o gatilho de policiais que matam negros nas periferias, chutam a cabeça de homossexuais (apenas por serem afeminados) em todo o país, incendeiam o combustível de quem vê mulheres apenas como objetos – estupráveis. E, sim, fazem tudo isso com suas risadinhas. Com seu aval a essa cultura da morte e da exclusão dos diferentes.

Para assistirem ao show de humor chamado Proibidão, cada engraçadinho assina um termo no qual se compromete a “não ficar ofendido”. É incrível pensar como pessoas com alguma formação possam participar de tamanha aberração. Seja promovendo esses documentos estapafúrdios, seja assinando-os. Esses brasileiros estão imaginando uma espécie de território “livre” nesses momentos: um país e um mundo sem racismo, sem violências, sem leis. Sem respeito por seres humanos que portam deficiências físicas ou mentais, por seus parentes. Sem respeito por seres humanos.
 
Chegamos assim ao sonho de todo racista ou homofóbico (e são apenas alguns exemplos) enrustido: achar uns patifezinhos – de precária formação intelectual - que disfarcem seu cinismo sob o rótulo de “humor”. E tomar – mais ou menos ingenuamente - partido do lado dos ratos. Aumentei a temperatura das palavras ao longo do texto exatamente porque cansei de meias palavras. Em relação a esses temas (bastante elementares para definirmos qualquer Cidadania Mínima), cada um desses brasileiros é cúmplice.
 
Que cada um deles rasgue suas máscaras.
 
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11 comentários:

Leonardo Araujo disse...

ótima reflexão

Carolina disse...

Muito bom texto, compartilhei no FB.
Parabéns!

Lu Sá Teles disse...

Demorou pra alguém denunciar isto, eu também mem irrito profundamente com esta postura de "era tudo brincadeira não sabe curtir uma piada, sem senso de humor". é uma inversão, como se quem se importa e defende as coisas justas estivesse errado, pois o legal é se divertir, custe o que custar e doa a quem doer, e isto tá invadindo vários campos da vida hoje, fico pensando que é uma luta dura ter que estar sempre na defensiva, sempre dizendo coisas pras pessoas enxergarem... mas tudo bem, se não tem como a gente segue fazendo isto, parabéns pelo seu texto.

Anônimo disse...
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Anônimo disse...

Esse é o exemplo de texto coxinha. Está a um passo de dar a bunda. Ops. Sou racista tb. Dar a bunda esta na moda né? Texto ridículo e mal escrito. Vc é o tipo do cara que não se diverte e defende bandido e mané. Além de maconheiro é claro.

disse...

Ô anônimos aí de cima, analisemos por um prisma psíquico seus comentários.
Infantilidade, homofobia, falta de cultura geral, visão violenta de mundo. Que mais? Falta de respeito querendo censurar textos que te desagradam? Acho que sim.
Tá bom ou quer mais?
Dá próxima eu cobro consulta...

Franciel de Souza disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Franciel de Souza disse...

É mas continuam rindo e achando que não tem problema "humor" que esse caras como Rafael Bastos, Fabio Rabin, Danilo Gentili, Felipe Hamachi entre outros.
Não da mais para se tolerar esse tipo de atitude justificada por um certo "humor" por uma certa "piada".
NÃO é engraçado! É ofensivo, é criminoso. Reafirma preconceito, preconceito ja intrínseco entre nós e que fingem por ai que não existe.
EXISTE e está matando pessoas! Eu não tolero mais!

Alceu Castilho, jornalista. disse...

normalmente apago os comentários sem um mínimo de civilidade (com xingamentos, contrários a direitos humanos etc). No caso de um dos comentários acima, porém, achei bastante representativo do tema do post. Para se ver o nível de algumas pessoas com quem convivemos.

Andrea Martins disse...

Oi Alceu, concordo com você. Este tipo de "humor" tem passado dos limites faz tempo. Infelizmente, eles têm cada vez mais público e seguidores. E não vão parar enquanto tiver gente disposta a pagar R$ 60 reais pra ver a humilhação das "minorias". Acho que só vão começar a diminuir a agressão quando sentirem no bolso. Ou seja, quem se sentir ofendido, deve meter um processo. Quando tiverem dezenas, centenas de processos, vão começar a repensar as "gracinhas".

Alceu Castilho, jornalista. disse...

muito bem observado, Andrea. A única coisa que os comoverá será essa relação custo-benefício. Mas não duvido que eles cobrem R$ 100 (e que haja quem pague) só para conseguirem uma reserva para processos.